10/10/2011 - 12h32 / Atualizada 10/10/2011 - 12h42
MP-RJ denuncia 11 policiais envolvidos na morte de juíza no Rio
Julio Reis
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro
O Ministério Público do Rio de Janeiro anunciou, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (10), que irá oferecer denúncia à Justiça contra os 11 policiais envolvidos na morte da juíza Patrícia Acioli, que foi assassinada no dia 11 de agosto de 2011 com 21 tiros quando chegava em sua casa, em Niterói (RJ).
A denúncia apresentada será de homicídio triplamente qualificado e formação de quadrilha armada. O MP quer também a prisão preventiva de todos os envolvidos.
Foto 7 de 45 - A juíza Patricia Lourival Acioli foi assassinada na noite da última quinta-feira (11), quando acabava de chegar em casa na rua dos Corais, em Niterói (Rio de Janeiro). Segundo testemunhas, homens encapuzados que estavam em dois carros e duas motos efetuaram os disparos antes mesmo que ela saísse do seu carro, um Fiat Idea. Única a julgar processos de homicídios em São Gonçalo, a juíza era conhecida por uma atuação rigorosa contra a ação de grupos de extermínio naquela região do Estado
Mais Reprodução Facebook A promotoria anunciou ainda que irá solicitar a transferência para presídio federal do tenente-coronel Cláudio Luís de Oliveira, acusado de ser o mentor do crime e ex-comandante do 7º BPM de São Gonçado, e do tenente Daniel dos Santos Benítez, um dos executores do crime. O MP teme que os acusados possam intervir no andamento do julgamento.
Entenda o caso
Patrícia Lourival Acioli, 47, comandava a 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ela foi assassinada a tiros na noite de 11 de agosto quando chegava em casa, em Niterói. Conhecida por adotar "linha dura" contra o crime organizado e contra policiais criminosos, ela já havia recebido ameaças de morte.
Ao volante de um Fiat prata Idea, a vítima foi surpreendida por homens utilizando toucas ninja e ocupando duas motos e dois carros, segundo informações da polícia. Foram feitos pelo menos 16 disparos de pistolas calibres 40 e 45 contra a vítima, que morreu no local.
Patrícia tinha várias decisões judiciais contra policiais militares em seu currículo. Ela era responsável por julgar casos de homicídio no segundo município mais populoso do Estado do Rio, inclusive os casos de autos de resistência, isto é, mortes provocadas pela polícia supostamente em confronto com o suspeito.
Segundo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Manoel Alberto Rebelo dos Santos, ela havia recebido várias ameaças de morte.
O nome da juíza estava em uma "lista negra" feita pelo criminoso Wanderson Silva Tavares, o "Gordinho", preso no Espírito Santo em janeiro deste ano e chefe da quadrilha de extermínio que agia em São Gonçalo e teria assassinado pelo menos 15 pessoas em três anos.
Entre algumas decisões de Patrícia, está a prisão de policiais militares de São Gonçalo que sequestravam traficantes e, mesmo depois de matá-los, entravam em contato com familiares e comparsas exigindo dinheiro para soltura.
Em setembro de 2010, a magistrada determinou a prisão de quatro policiais militares de Niterói e São Gonçalo, acusados de integrar um grupo de extermínio na região. Em janeiro deste ano, ela também decretou a prisão de seis policiais acusados de forjar autos de resistência.
Fonte: UOL. NOTÍCIA.