quinta-feira, 21 de julho de 2011

ACONTECEU EM CEILÂNDIA

Familiares da vítima aguardam o julgamento dos acusados de assassinato há quase 11 anos.


Julgamento de ex-agente acusado de matar líder sindical é adiado novamente


Fonte: CorreioWeb / Luiz Calgagno

Publicação: 21/07/2011 08:05 Atualização: 21/07/2011 08:09



Quase 11 anos depois, o assassinato do gari e líder sindical Gildo da Silva Rocha, vítima de um tiro disparado por policiais civis, continua sem solução. A Justiça adiou mais uma vez o julgamento do ex-agente da Polícia Civil do DF Arnulfo Alves Pereira, até então marcado para as 9h de hoje no Tribunal do Júri de Brasília.

O policial suspeito de disparar contra a vítima, Ronildo Brito de Mesquita, morreu em 2009, em um acidente de moto em Abadiânia (GO), antes de ser julgado. Gildo era diretor de divulgação do Sindicato dos Servidores do Distrito Federal (Sindser). Os defensores de Arnulfo, que vive em Belo Horizonte (MG), encaminharam na tarde de ontem o pedido de adiamento. A justificativa é que o réu estaria doente e não poderia comparecer. Ainda não há previsão para o novo júri.

O crime ocorreu na madrugada de 7 de outubro de 2000, quando três agentes surpreenderam Gildo e outros dois servidores do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Geraldo Rufino e Edson Sampaio, na Avenida Hélio Prates, em Ceilândia. Os garis picotavam sacos de lixo como forma de protesto, durante uma greve de funcionários do órgão.

Na abordagem, o sindicalista se assustou e fugiu. Arnulfo e Ronildo perseguiram o Gildo, que acabou morto na QNM 21. Segundo a denúncia do Ministério Público do DF, os agentes civis colocaram armas e drogas no carro da vítima e alegaram que ela teria disparado antes dos acusados. No entanto, a perícia da Polícia Civil desmentiu a versão dos envolvidos. Gildo deixou mulher e um casal de filhos.

As tentativas de se fazer justiça no caso tem esbarrado em dificuldades. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios iniciou o julgamento de Arnulfo em 8 de junho de 2010, em Ceilândia. A sessão, no entanto, acabou cancelada. Além de um dos jurados ser colega de trabalho do gari, a 2ª Vara Criminal da cidade estava lotada de policiais civis, muitos deles armados, o que intimidou testemunhas e familiares de Gildo. Por isso, o caso mudou para o Tribunal do Júri de Brasília.

Revolta

A mulher de Gildo, a funcionária pública Gleicimar de Sousa Rocha, 41 anos, lamentou o adiamento da sessão. “Isso causa uma sensação de impunidade. Fico com os meus filhos e com o meu sofrimento enquanto o assassino permanece impune. Perdi muito. Precisamos de um basta. Se ele foge, que o julguem à revelia. O Judiciário não pode compactuar. Será que eles não enxergam? Vão deixar o caso se arrastar até prescrever? Para que o Código Penal? Para que as leis?”, questionou.

O promotor responsável pelo caso, Diaulas Ribeiro, explicou que, como o autor dos disparos morreu e Arnulfo estava apenas conduzindo o carro da polícia, fica difícil imaginar o rumo que o julgamento pode tomar. “Se ele for condenado, ainda poderá recorrer. Mas isso fica no plano das hipóteses. O fato é que o processo é difícil e, com a morte do atirador, temos muitas possibilidades de fim”, explicou.

Planos

Caçula de 11 irmãos, o sergipano Gildo da Silva Rocha tinha muitos planos. Na época em que foi assassinado, seguia uma rotina intensa para garantir o futuro da família. Trabalhava como vendedor durante o dia e no SLU durante a noite, além de estar vinculado ao Sindser. Aguardava a mulher se formar para largar um dos empregos e, assim, iniciar um curso superior.

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